segunda-feira, 2 de novembro de 2009

FINADOS E DOUTRINA ESPÍRITA
O marco divisório entre o animal e o primeiro homem, ocorreu há cerca de 40.000 anos com o Homo Sapiens e o Homo Neanderthal, antes mesmo da agricultura, e é o início da história humana. O culto aos mortos foi se formando, a partir de época bem remota e está presente em quase todas religiões. As comunidades primitivas, acreditavam, que, sepultando seus mortos próximo dos campos agrícolas, seus espíritos ressurgiriam à vida com mais vigor, . Reverenciavam-se os mortos próximos aos túmulos, com festas e muita alegria, prática que se estendeu até hoje em algumas culturas. Os costumes dos povos primitivos foram se modificando devido à influência de outros, vindos, provavelmente, do norte da África (os Iberos) e do centro da Europa (os Celtas). É dos gauleses que vem a comemoração dos mortos, só que, em vez de comemorar nos cemitérios, entre túmulos, era no lar que eles celebravam a lembrança dos amigos afastados, eles evocavam a memória dos espíritos amados que algumas vezes de manifestavam por meio das druidisas (sacerdotisas) e dos bardos (poetas e oradores inspirados".
Os gauleses, portanto, não veneravam os corpos decompostos, mas a alma , e era em seus lares que celebravam a lembrança de seus mortos, longe dos cemitérios, diferentemente dos povos primitivos.
Porém, uma noite escura (dez séculos, idade média) desceu sobre a terra das Gálias, através da Igreja de Roma, que expulsou os druidas e impôs o Cristianismo clérico. Esses períodos históricos de frenética agitação, que proscreveu o espiritualismo e entronizou a superstição, o sobre natural, o milagre, a beatificação, a santificação e a definitiva alienização da consciência humana, levando-a ao analfabetismo espiritual. A história oficial da Igreja registra que foi no Mosteiro beneditino de Cluny, no sul da França, no ano de 998, que o Abade Odilon promovia a celebração do dia 2 de Novembro, em memória dos mortos, em 1311 foi sancionada, em Roma, mas foi Bento XV(1915) quem universalizou tal entre os católicos.
2 de Novembro, feriado nacional, com o objetivo de as pessoas poderem homenagear seus parentes e amigos falecidos. Nós, os espíritas, somos questionados sobre o tema: como o Espiritismo analisa o dia dos mortos? Respondemos a essa questão, da seguinte maneira: as religiões falham, excessivamente, no que tange aos ensinos das essenciais noções sobre a imortalidade da alma, muito embora haja uma ou outra que já tenha alguma noção do que seja. Mesmo assim, ainda insigne, se comparada aos ensinamentos de luz, ditados a Allan Kardec. ". Daí a razão pela qual, no dia dos finados, as pessoas se dirigem aos cemitérios como ai fosse a morada eterna daqueles que desencartam. "O Livro dos Espíritos" nos ensina o respeito aos desencarnados como um impositivo de fraternidade, sem que materializemos esse sentimento frente aos túmulos, nem que tais lembranças ou homenagens sejam realizadas em um dia especial, oficialmente estabelecido.
Nos dias de hoje, essa celebração se desviou, e muito, do ritual religioso, transportando-se do foco sentimental e emocional para o comercial, uma vez que o comércio de flores, velas, santinhos, escapulários, e a eventual preocupação para a conservação dos túmulos (normalmente, só são lembrados em Novembro) respondem por esse protocolo social. O zelo com que são cuidados os túmulos só tem algum sentido para os encarnados, que, aliás, devem se precaver para não criarem um estranho tipo de culto.
A homenagem à memória de um homem de bem, "são justas e de bom exemplo", o desejo de perpetuar a própria memória nos monumentos fúnebres vem do derradeiro ato de orgulho . “A suntuosidade dos túmulos , ainda faz parte do orgulho dos parentes, que querem honrar-se a si mesmos. Apegamo-nos ao formalismo material e desprezamos a essência do ser, motivo pelo qual obrigou Jesus a se expressar aos escribas e fariseus da sua época:” sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de cadáveres e de toda espécie de podridão".
Benfeitores afirmam que os chamados "mortos" são sensíveis à saudade dos que os amavam na Terra e que, de alguma forma, a sua lembrança aumenta-lhes a felicidade, mas o dia dos "finados", atestam que é um dia como outro qualquer, até porque os espíritos são sensíveis aos nossos pensamentos, não às solenidades humanas. O pensamento é uma força, um atributo característico do ser espiritual; “é ele que distingue o espírito da matéria; sem o pensamento o espírito não seria espírito. O pensamento age sobre os fluídos ambientes. Assim, pela comunhão de pensamentos, os homens se assistem entre si e, ao mesmo tempo, assistem os Espíritos e são por estes assistidos, portanto, uma prece feita em sua intenção vale muito mais., do que a\tos exteriores, pois no momento em que o Espírito chega a um certo grau de perfeição não tem mais a vaidade da sociedade humana e compreende a futilidade de tais solenidades, mas há Espíritos que, no primeiro momento da morte, gozam de grande satisfação com as honras que lhes tributam, ou se desgostam com o abandono a que lançam o seu envoltório, pois conservam ainda alguns preconceitos deste mundo. Reflitamos juntos: o dia 02 de Novembro é consagrado aos falecidos libertos ou aos mortos que ainda estão jungidos à vida material? Existem duas possibilidades de mortos: os que se”. sentem totalmente livres do arcabouço carnal, porém "vivos" para uma vida espiritual plena, e os que permanecem com a sensação de que, ainda, estão encarnados, porém "mortos" para a vida física, pois somente vivenciam, na espiritualidade, a vida animal. " Para o mundo, mortos são os que despiram a carne; para Jesus, são os que vivem imersos na matéria, alheios à vida verdadeira que é a espiritual. É o que explica o ensinamento evangélico, em que a pessoa prontificou-se a seguir o Mestre, mas antes queria enterrar seu pai que havia falecido, e Jesus conclamou" - "Deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos, tu, porém, vai anunciar o Reino de Deus".
A visitação aos túmulos é um ato exterior, que evoca a lembrança dos entes queridos desencarnados e é a maneira de as pessoas demonstrarem a saudade e o carinho que sentem por eles, mas só terá valor, se essa atitude for realizada com boa intenção., não é condenável, mas desnecessária, até porque o falecido não se encontra no cemitério, podendo ser lembrado e homenageado através da prece, a qualquer momento e em qualquer lugar.
É óbvio que “faz sentido rememorar com alegria e não lastimar os que já partiram, e que estão plenamente vivos. Finados é uma mistura de alegria e dor, de presença-ausência, de festa e saudade. Aos que ficamos por aqui, cabe-nos refletir e celebrar a vida com amor e ternura. Aos que partiram, nossa prece, nossa gratidão, nossa saudade, nosso carinho, nosso amor. Se formos capazes de orar, com serenidade e confiança, transformando a saudade em esperança, sentiremos a presença dos parentes e amigos desencarnados entre nós, envolvendo-nos o coração com alegria e paz. Por esta razão e muitas outras, façamos do dia 2 de Novembro um dia de reverência à vida, lembrando carinhosamente os que nos antecederam de retorno à pátria espiritual, e também os que conosco ainda jornadeiam pelos caminhos da existência terrena”.

Um comentário:

  1. AS DUAS POSTAGENS CHEIA DE ENSINAMENTOS COM CERTEZA VEM DE UMA PESSOA QUE ESTUDA E QUE CONHECE A DOUTRINA DOS ESPIRITOS, PARABÉNS AMIGO!! E A DA NOSSA MÃE SANTISSIMA FOI MUITO EMOCIONANTE,É BOM RECORDAR LIÇÕES TÃO BELAS.

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